Domingo, 27 de Março de 2011

Serra d’Aire é abundante em água e podia ser uma fonte de energia eólica

 

 

 

Serra d’Aire é abundante em água e podia ser uma fonte de energia eólica
fotoUma riqueza por explorar

A Serra d’Aire é um manancial de recursos naturais por explorar. Há água a rodos no subsolo mas não há dinheiro para explorar essa riqueza. E a implantação de um parque eólico também não é vista com bons olhos.
Desconhecida da maioria da população que vive a seus pés, a Serra d’Aire é uma fonte de recursos naturais até agora subaproveitados. Desde a imensa água existente por baixo do maciço calcário até à utilização do espaço como gerador de energias alternativas.
O seu potencial natural tem esbarrado quase sempre na burocracia e na falta de financiamento para projectos desta natureza. Dito de outra forma, tem faltado estratégia para explorar de forma sustentável os recursos existentes.
Como bem fez notar Carlos Costa Almeida, geólogo e professor da Faculdade de Ciências de Lisboa convidado pela CDU de Torres Novas para, na sexta-feira, 22 de Abril, debater “o património esquecido” da Serra d’Aire. O orador disse que é quase uma heresia haver aldeias no sopé da serra com problemas de abastecimento de água quando, a dois passos, existe um manancial do líquido precioso completamente “esquecido”.
No maciço calcário das Serras d’Aire e Candeeiros existe uma espantosa concentração subterrânea de água, que drena para três grandes nascentes, duas das quais na Serra d’Aire – Al-viela e Almonda. Nas contas feitas por Carlos Costa Almeida o caudal total debitado pelas três nascentes cifra-se em cerca de 350 milhões de metros cúbicos por ano.
Há vinte anos que se apresentam projectos para o estudo aquífero da Serra d’Aire, com o objectivo de uma gestão integrada de recursos subterrâneos e superficiais ali existentes. Projectos que nunca foram concretizados por falta de meios financeiros. Em 2003, o parque natural assinou protocolos com 18 entidades nacionais para avançar, mais uma vez, com o estudo dos recursos subterrâneos de água.
Mais uma vez, de acordo com Maria de Jesus Fernandes, bióloga e técnica do Parque Natural da Serra d’Aire e Candeeiros, o financiamento está difícil de conseguir e os protocolos continuam apenas no papel. “Isto é uma coisa difícil de vender”, contrapõe Carlos Costa Almeida.
O geólogo admite ser difícil explorar recursos hídricos e captar água do interior do maciço calcário por haver pouca capacidade de regulação do caudal nos reservatórios naturais. Mas refere que vale a pena insistir, até porque este é o segundo sistema mais importante em termos de reservatórios subterrâneos de água a nível nacional.

Quem
semeia ventos…
Outra potencialidade da Serra d’Aire é o seu aproveitamento para o desenvolvimento de energias alternativas, como a eólica. Há cinco anos foi assinado entre a junta de Freguesia do Pedrógão, a Câmara de Torres Novas e a Enersis, empresa do sector, um contrato para a exploração de um parque eólico na freguesia de Pedrógão.
Até hoje, a única coisa que se sabe, segundo o presidente da junta de Pedrógão, é de que a Enersis terá negociado esse contrato com outra empresa, o grupo Meneses, de Leiria. “Até 18 de Maio as empresas têm de apresentar ao Governo os contratos que têm celebrados se quiserem receber financiamento”, refere Silvino Rosa, adiantando estar à espera que “alguém” lhe diga algo sobre o assunto.
Quando se fala em parques eólicos na Serra d’Aire, os responsáveis do parque natural ficam apreensivos. Porque, como disse Maria de Jesus Fernandes, “os moinhos não caem na serra de pára-quedas”.
Ainda recentemente o PNSAC chumbou a instalação de um parque eólico no cume da serra pelo facto da sua implantação implicar grandes intervenções ao nível das áreas abrangidas. “A área afectada pela sua construção era demasiado significativa”.
Teriam de ser abertos mais caminhos e havia grande pressão de camiões e máquinas pelo espaço, uma situação que os responsáveis do PNSAC dispensa. A bióloga referiu no entanto ter aprovado a instalação de dois parques eólicos na Serra de Candeeiros, não justificando esta dualidade de critérios. O MIRANTE tentou contactar a directora do PNSAC para mais esclarecimentos obre o assunto mas até à hora de fecho desta edição tal não foi possível.
Apesar de nos últimos cinco anos os incêndios terem devastado cerca de 1.800 hectares de árvores e plantas na Serra d’Aire, a política dos responsáveis do parque tem sido a de não apoiar a abertura de mais caminhos, reivindicados pelas populações rondadas pelos fogos, de forma a tornar mais célere o seu combate.
“A abertura de mais caminhos traz inevitavelmente mais gente para a serra. O ano passado tivemos 55 mil visitantes e não é aconselhável ter mais”, sentenciou a técnica do PNSAC, adiantando que têm de conciliar e gerir a conservação da natureza com a pressão humana.

Fonte: O Mirante

publicado por pnsac-viveatuanatureza às 14:58

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